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Copa Feminina de 2027 é vista como oportunidade para ampliar direitos e abrir espaços para mulheres

por Barbacena em Tempo
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A menos de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, especialistas e autoridades defendem que o torneio seja usado como uma oportunidade para ampliar direitos, fortalecer a presença das mulheres em espaços de liderança e deixar mudanças permanentes em áreas como turismo, segurança e mobilidade.

O tema foi discutido nesta quarta-feira (3), durante o Fórum Internacional de Turismo para Mulheres, realizado em João Pessoa (PB), evento realizado pelo Ministério do Turismo em parceria com a ONU Turismo e que segue até esta quinta-feira (4).

Em painel, a secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina de 2027, Juliana Agatte, afirmou que os preparativos para o Mundial já estão sendo pensados para além da realização dos jogos, com foco na construção de políticas e protocolos que possam permanecer após a competição.

“Não estamos falando apenas dos 50 dias da competição. Queremos que as medidas construídas para a Copa permaneçam como legado para as mulheres dentro e fora dos estádios, ampliando o acesso, a segurança e a participação feminina nesses espaços”, destacou.

Ainda segundo Agatte, temas como sustentabilidade, turismo, mobilidade urbana e segurança estão sendo discutidos a partir das experiências e necessidades das mulheres. Ela também afirmou que a construção desse legado depende da participação feminina nos espaços de decisão e da incorporação dessa perspectiva nas políticas públicas.

A secretária também apontou a segurança como uma das prioridades do planejamento do evento.

“Da mesma forma, a segurança deve ocupar lugar central. Temos dialogado com todas as forças envolvidas para assegurar um olhar diferenciado para as mulheres, com protocolos específicos dentro dos estádios e medidas que garantam ambientes seguros dentro e fora deles”, afirmou.

Futebol, memória e visibilidade

Ao abordar os impactos da competição, Juliana Agatte avaliou que o Mundial também pode contribuir para ampliar o reconhecimento da trajetória das mulheres no esporte. Na avaliação dela, espaços culturais, museus, escolas, estádios e roteiros turísticos podem incorporar essa história e torná-la mais conhecida do público.

“É uma super janela de oportunidades. Já recepcionamos muitos turistas no Brasil. E a Copa, pelo turismo esportivo, pode alavancar ainda mais a presença desses turistas. Vai ser um período de férias escolares para nós, o que também trará a oportunidade de as mulheres, das famílias assistirem uma Copa, um jogo de futebol”, considerou.

A discussão ocorre em um contexto simbólico para o país. Durante quase quatro décadas, o futebol feminino foi proibido no Brasil e só voltou a ser autorizado em 1983. Nesse mesmo período, a seleção masculina conquistou três Copas do Mundo e o país chegou a sediar uma edição do torneio masculino. Em 2027, pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina será realizada na América do Sul.

A dimensão do evento também aparece nos investimentos previstos. A FIFA estima aplicar cerca de R$ 4,2 bilhões na edição brasileira, valor que representa o dobro dos recursos destinados à Copa realizada na Austrália e na Nova Zelândia. Já a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) projeta investir R$ 685 milhões nas competições femininas nacionais.

Oportunidade para mulheres

Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, a realização da Copa pode acelerar iniciativas voltadas à autonomia econômica e à ampliação de oportunidades para mulheres em diferentes áreas.

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Para ela, os benefícios podem alcançar trabalhadoras do turismo, empreendedoras e também meninas que passarão a ter mais referências femininas em posições de destaque.

“Estamos falando de ampliar o acesso a crédito, capacitação e mercados, fortalecer negócios liderados por mulheres, valorizar o artesanato, a gastronomia, o turismo comunitário e criar ambientes mais seguros para turistas e trabalhadoras. Mas também estamos falando de inspiração. Quando meninas veem mulheres ocupando espaços de liderança, elas passam a acreditar que também podem chegar lá”, disse.

O papel da comunicação

A jornalista Alicia Klein destacou que a forma como o torneio será comunicado terá influência direta sobre o legado deixado pela competição. Para ela, a Copa não deve ser vista como um evento de interesse exclusivo das mulheres, mas como um acontecimento capaz de mobilizar diferentes públicos.

“A Copa tem o poder de mobilizar pessoas muito além de quem acompanha futebol. É um evento esportivo, cultural e turístico. Quanto mais tratarmos o futebol feminino com a relevância que ele merece, maior será sua capacidade de inspirar meninas, criar referências para os meninos e ampliar o espaço das mulheres dentro e fora dos estádios”, afirmou.

“A Copa do Mundo de 2027 pode ajudar não só a movimentar o turismo, a economia, mas pode finalmente destituir as pessoas da ideia de que futebol é coisa de homem. A gente tem uma oportunidade histórica no Brasil de mostrar um entretenimento onde as mulheres se sentem mais seguras, onde o ambiente é mais acolhedor e onde a gente pode realmente mostrar toda a nossa força”, complementou.

O painel reuniu representantes de diferentes áreas para discutir a preparação do Brasil para receber o Mundial, os desafios relacionados à igualdade de gênero e aos direitos humanos e a contribuição da comunicação para ampliar a presença feminina no esporte e no turismo.

Ao final da conversa, as participantes foram convidadas a apontar qual legado gostariam que a Copa deixasse para o país. Nesse caso, houve convergência em torno da necessidade de ampliar oportunidades para as mulheres como atletas, profissionais, empreendedoras, turistas e lideranças.

Juliana Agatte defendeu que o torneio gere resultados concretos em áreas como turismo, geração de renda, segurança e ocupação de espaços de poder.
Gallianne Palayret, por sua vez, destacou a importância de ampliar horizontes para meninas e mulheres e consolidar o futebol feminino como uma paixão nacional.

Já Alicia Klein afirmou que o principal legado será superar a ideia de que o futebol é um território masculino. “O futebol precisa ser entendido como algo de todos. Essa transformação beneficia não apenas o esporte, mas a sociedade como um todo”, disse.
 

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